quinta-feira, 30 de maio de 2013

O professor que mudou minha vida

Mais uma vez irei mato adentro, na direção da verdadeira civilização. As perguntas voltarão, junto comigo, no final de maio. Quarenta e cinco anos em sala de aula me dão o direito de um pequeno descanso. Porém, minha alma de professor sempre continuará na ativa. Um acontecimento, uma paisagem, uma placa no caminho, um letreiro no bar da estrada... Tornam-se muitas vezes exemplos para a discussão didática sobre a comunicação nas empresas.

Aliás, minha vida é - foi e será - uma grande viagem. Muitas retas, divertidas curvas; porém e principalmente, guinadas fantásticas. Sem medo ou arrependimento. Quem já esteve em sala comigo, ou leu textos deste blog ou do meu site, sabe da primeira grande guinada da minha vida: a mudança do “ódio à Língua Portuguesa” para “o trabalho com redação em sala de aula”.

Devo isso a um professor fantástico. Ele, como eu, não entendia como pode um aluno achar Física ou Química mais fácil do que Português - conhecimento que pratica desde que pronunciou as primeiras palavras. A resposta está no desvio do foco. São tantas classificações a guardar que a construção do texto e o raciocínio lógico são deixados de lado. Prevalece a decoreba, ignora-se a compreensão.

Era 1965, Rua Haddock Lobo, Tijuca. Vinte e seis alunos magnetizados pela dinâmica, pela facilidade de comunicação de um professor fora do seu tempo. Anos luz à frente do convencional. E ele, Paulo de Tarso, um empolgado e empolgante professor de curso preparatório para concursos, abriu meus olhos e meu coração. O cara me mostrou a outra face, o lado simples da nossa Língua. Essa lição eu aprendi, e tento fazer com que meus alunos também descubram que escrever pode ser um prazer.  

Nos últimos treze anos, em todas as turmas que tive, o último dia de aula termina com uma pequena história em que agradeço a essa figura incrível, que mudou a minha vida. Portanto, já pronunciei seu nome mais de 200 vezes, todos os anos, todos os meses.

E é pouco, falarei sempre. Por isso, quis registrar esta pequena homenagem: um texto cheio de gratidão e saudade. Faz alguns anos que vi Paulo. Gostaria de vê-lo novamente. Se alguém tiver notícias...

Posso não vê-lo, Paulo de Tarso, mas sei onde está. Onde sempre esteve... No meu coração.
                                                                                                                                                           Gerson Jorge

8 comentários:

Anônimo disse...

Um professor pode marcar um aluno para toda a vida, tanto para o bem como para o mal. Uma palavra, gestos,comentário, as vezes tornam-se irreversíveis. Acredito que muitos professores não têm ideia dessa dimensão. Por isso antes de ir para a sala de aula vale a reflexão: que marcas eu quero deixar para o meu aluno?

Unknown disse...

O Professor PAULO DE TARSO,a quem eu tb muito devo, mora na Tijuca, Rua Saboia Lima, e acho q ainda dá aulas particulares em sua residência.O melhor Professor já conheci em toda a minha vida. Pessoa carismática e de um conhecimento q parece não ter fim.Envio-lhe sempre, à distância, muitas vibrações de amor e carinho!

Unknown disse...

Grande Paulo de Tarso, quantos lhe devem? Milhares. Quem tem notícias desse símbolo?

ana disse...

Grande Paulo de Tarso. Fui aluna dele em 1970 para o concurso de técnico em tributação. Devo a ele ter passado, devo a ele uma boa parte da minha vida.

Anônimo disse...

Desnecessário apontar esta autoria.
Simplesmente, e tenho certeza do que afirmarei, faço uso desta mensagem para registrar o que “outros tantos” fariam se tivessem a mesma oportunidade: reafirmar que, de fato, mudou nossas vidas.
Sou um dos privilegiados, e porque não dizer, congratulados, por ter em meus aprendizados figura tão capaz e eficaz na transmissão do saber.
Não só estudávamos as matérias, aprendíamos a como estudá-las, sem decorebas irritáveis, esquecíveis...
1979. A nossa expectativa era a de um “cursinho” na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, RJ... mais um cursinho..., que com muito esforço das nossas partes, talvez amenizaria a luta que seria concorrer contra os “filhinhos de papai”, alicerçados pelos bolsos desde quando largaram as fraldas.
E à nossa frente e do tempo, lá estava o Professor Paulo de Tarso, de ladainhas matemáticas, repetidas insistentemente, em todo o início de aula, enquanto os ainda poucos atrasados chegavam. Divertido, com exemplos objetivos e práticos, com contas de ponta-cabeça, aprendíamos sem nem saber que assim estávamos. Era cedo... sem sequer dar um bocejo... queríamos mais..., ele gostava de ensinar. Claro, sabia o que falava, como falava e para quem.
Para minha surpresa, em particular, ao receber o telegrama de convocação, percebi que não concorri contra e, sim, com os “filhinhos de papai”. E ganhei. E foi Ele... foi Ele que me deu as ferramentas.
Poderia ainda me estender, decerto não faltaria o que falar, mas, um certo Professor me ensinou um dia..., que devemos ser objetivos em nossa redação para não nos tornarmos cansativos.
Eu e os “outros tantos”.

themistocles disse...

Paulo de Tarso, o melhor professor da minha existência, anos a frente, o melhor que orientou uma infinidades de concurseiros e na sua maioria foram aprovados. Suas folhinhas versavam um mix de matérias, de estatísticas, economia, contabilidade societaria, de custos, análise de balanço, direito civil, e outras. Formidável, obrigado Paulo, graças ao amigo e professor fui aprovado em vários concursos de nível superior. Descance ao lado do jardim.

Carolina Inacio disse...

Quando ainda estava no ensino médio, por volta de 2009 ou 2008, o prof. Paulo de Tarso permitiu, a pedido do meu pai, que eu frequentasse seu curso preparatório ali na Tijuca, na Conde de Bonfim, sem pagar absolutamente nada. Comovido com a situação financeira da minha família, este magnífico professor me acolheu e, de diversas formas, marcou aquele momento da minha vida. Uma pessoa inesquecível por toda sabedoria, habilidade e humor com que conduzia suas aulas. Como muitos aqui, também devo muito ao nosso saudoso Prof. Paulo de Tarso. Não segui no ramo "concurseiro", mas tenho certeza que ter passado por aquelas aulas me ajudou muito a trilhar o caminho que estou seguindo. Como esquecer desse
gesto? Como esquecer das suas aulas? Daqueles dias em que saía da escola, ia pro curso de francês e depois, à noite,já bem cansada,me dirigia até a Conde de Bonfim para aprender sobre praticamente tudo: política, futebol, música, matemática, língua portuguesa, direito... ? Sempre o ajudava a subir e descer a escadas, antes e depois das aulas. Muitas são as memórias e infinita a minha gratidão. Obrigada, mestre.

Jussara Reis disse...

Fui aluna do professor Paulo de Tarso. Seria muito bom se minha filha pudesse se preparar com o professor...
Meu e-mail jreisgomes18@gmail.com .
Espero receber contato favorável!
Obrigada!